A história não é um arquivo, ou relicário de memórias
evocadas: seria de pouco préstimo. Ao contrário.
A história é uma criação contínua da vida. Além do documento,
que aparece todos os dias, alterando o juízo, esse juízo, com o
mesmo documento, muda com as gerações, dada a sensibilidade
diferente das gerações sucessivas...
A evocação deve ser animada para ser ressurreição. Daí o
dito razoável de historiador contemporâneo, Jacques Bainville:
de vinte em vinte anos devia-se reescrever a história.
A do Brasil ainda não foi escrita: mas há ensaios. Meio
milhão de documentos, no Arquivo Colonial, em Lisboa, estão à
espera dos pesquisadores.
O grande ensaio de Varnhagen e
seus colaboradores, (só porque pesquisou alguns documentos)
de tão bom, já é como missal, de que as notas de Capistrano e
Garcia são como iluminuras. Afonso de Taunay, último bandeirante,
não tornou ainda, rematando a História Geral das Bandeiras.
Só agora aparecem os primeiros tomos das
revelações econômicas de Simonsen. Pedro Calmon ensaia um
sentido da civilização no Brasil. Está começando a História da
Companhia de Jesus no Brasil do Dr. Serafim Leite, S. J., sem a
qual, dissera Capistrano, não se poderia escrever a própria
história do Brasil. Fora longo citar todos os ensaios, volumosos
alguns, de grande mérito. Esse é mais um ensaio...
História do Brasil
Por: Afrânio Peixoto
Paginas: 267
Lingua: PT/BR
Formato: PDF