Dez de Junho, praia de Carcavelos. Muitos jovens juntam-se ao sol. Há tensão e insultos. Depois chegará a polícia. Às 20h, as televisões apresentam ao país ?o arrastão?, um crime massivo, centenas de assaltantes negros, em pleno Dia de Portugal.
O noticiário torna-se narrativa apaixonada de um país de insegurança e ?gangs?, terror e vigilância. A maré engole o desmentido policial da primeira versão dos incidentes e vários testemunhos sobre uma inventona.
Era uma vez um arrastão passa em revista um crime que nunca existiu, a atitude dos media perante uma história explosiva e as consequências políticas e sociais de uma notícia falsa. Antes que esta nova crise de pânico passe ao arquivo morto, é necessário inscrevê-la na história da manipulação de massas em Portugal.»
Era uma vez um arrastão recebeu em 2006 uma menção honrosa na Primeira Edição do Prémio de Jornalismo ?Direitos Humanos, Tolerância e Luta contra a Discriminação na Comunicação Social? promovido pela Comissão Nacional da UNESCO e pelo Instituto de Comunicação Social.