Um dos títulos de Shindo que ganhou alguma popularidade do Ocidente, «Onibaba» baseia-se num conto budista, mas o realizador extrapola largamente para lá do intuito da moralidade original, desenvolvendo uma história sobre sobrevivência em condições extremas e desejo sexual.
Durante um longo período de guerras, com apoiantes de dois imperadores a degladiarem-se pelo poder supremo no Japão, duas mulheres, sogra e nora, vivem numa cabana, no meio de um canavial. A escassez de alimentos força-as a tornarem-se numa espécie de abutres humanos: acabam com a miséria de samurais moribundos, para posteriormente trocarem as suas armaduras e espadas por arroz e outros bens essenciais. Certo dia, um vizinho regressa e as hormonas da mais nova entram em erupção. A sogra receia pelo fim da sociedade e tenta impedir os encontros nocturnos.
«Onibaba» encerra uma dimensão simbólica ? socialismo, luta de classes, etc. e tal ? mas é apreciado primordialmente pelos sentidos, pela sua forte estética (excelente composição scope a preto e branco) e pela exultação dos instintos básicos do ser humano: sobrevivência primeiro, sexo depois.