Momento pode ser considerado uma síntese dos trabalhos anteriores de Bebel, já que segue a mesma linha ?classuda? dos seus últimos álbuns. Todos consagraram a artista como uma das mais bem sucedidas cantoras brasileiras no mercado internacional.
Músicas mais pessoais dão o tom de Momento, a começar pela faixa-título em que Bebel divaga sobre a brevidade dos relacionamentos. O lado eletrônico, presente com destaque em Tanto Tempo (2000), fica de lado, com exceção de canções como ?Bring Back The Love?. As parcerias com nomes como o inglês Guy Sigsworth (que já trabalhou com Madonna) e com o argentino e tecladista de sua banda, Didi Gutman, é outro ponto positivo do álbum.
Ao longo das 11 faixas percebemos que Bebel deu uma unidade interessante a este novo trabalho. ?Novos Yorkinos?, que mistura inglês e português em sua letra, brinca com a condição da própria cantora que está radicada nos EUA há mais de 15 anos.
?Night and Day?, clássico de Cole Porter, ganha uma versão bossa nova que casou perfeitamente com a delicada e contida voz de Bebel. ?Caçada?, baião do tio Chico Buarque, é resgatado para dar o clima de ?brasilidade?.
A parceria da cantora com a Orquestra Imperial e com o queridinho dos ?modernos?, o produtor Kassin, resultou em ?Tranquilo?: um mix de sonoridades latinas e, sem dúvidas, a faixa mais criativa de ?Momento?.
A extrema ?leveza? do álbum e sua contínua atmosfera ?lounge? o torna um pouco cansativo. Entretanto, nada que comprometa o resultado final, demonstrando que Bebel Gilberto conseguiu imprimir um estilo verdadeiramente moderno e despretensioso na música mundial.[Gilberto Tenório]