É lugar comum dizer-se que os discos, depois de editados, são como os filhos que vemos crescer, que deixam de ser nossos para correrem o mundo das emoções, e sobre eles, depois, ouvimos as histórias de uma viagem.
Foi assim, no espÃrito da tarefa, que recuperei dois discos registados na amálgama dos dias, entre 1987 e 1989, reunindo uma plêiade de músicos que trouxeram a sua riqueza e virtuosismo à escrita deste lote de canções – há uma travessia emocional, uma metamorfose, entre poética glauca do “Em Lugares Incertos†e a pujança radiosa do “Hesitarâ€.
Algumas destas canções chegam pela primeira vez ao formato digital – devÃamo-lo à nossa história e aos fãs –, acrescidas por dois inéditos que recuperei de uma longa arrumação da casa, pós-incêndio. Sobre estas, duas notas: “Antes Que Eu Partaâ€, foi gravada diretamente para a fita, voz, eco e viola acústica harmonizada, enquanto esperava que o Renato Júnior, que eu mal conhecia, chegasse para gravar o piano dos “Sonhos na Estrada de Sintraâ€; “Irei Contigo†é o instrumental anunciado na contracapa do single “É Hoje/Agoraâ€, e que não coube no pequeno 45 r.p.m. Há sempre outras histórias por contar.
António Manuel Ribeiro – Novembro 2008
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Estúdio 2, piso de cima
Aqui, comunicamos por invólucros de diferentes formas e sabemos que o som se transmite por cabos e fios.
As luzinhas do painel piscam e, no vai e vem das alturas, significam que chegámos lá e atingimos nÃveis, os nÃveis, à s vezes errados, outras vezes desafinados e até distorcidos.
Por tudo isto repetimos e repetimos, à procura da canção. Entre dentes (as horas), existe também a salada do processamento de sinais que, sendo efeitos, desequilibram, procurando o efeito do equilÃbrio da música.
Joãozinhos americanos são as ligações, jacks vulgares da nossa atribulada vontade de unir, fazer chegar.
Quase no final descobrimos que o ouvido já só está atento à dúvida. Poderá ser sempre o recomeço do interminável feedback.
Paço de Arcos, Maio 89 – AMR
(Original text in Portuguese)